Curitiba, 16 de Agosto de 2017.
14:48
O pré-candidato ao Governo do Paraná pelo PPS, César Silvestri Filho, prefeito de Guarapuava, que esteve em Campo Mourão no último sábado (12), participando do “Pé na Estrada”, projeto do partido, concedeu entrevista exclusiva à TRIBUNA e falou dos desafios como pré-candidato ao Governo do Paraná.
Silvestri disse acreditar em renovação tanto no Legislativo quanto no Executivo no próximo pleito
por Walter Pereira
O pré-candidato ao Governo do Paraná pelo PPS, César Silvestri Filho, prefeito de Guarapuava, que esteve em Campo Mourão no último sábado (12), participando do “Pé na Estrada”, projeto do partido, concedeu entrevista exclusiva à TRIBUNA e falou dos desafios como pré-candidato ao Governo do Paraná.
Considerado pelo PPS como resposta ao novo cenário político, o pré-candidato que já foi deputado estadual e prefeito por dois mandatos consecutivos (o segundo está em andamento) afirmou que o PPS está trabalhando para apresentar ao Paraná uma alternativa consistente de mudança baseada em dados concretos. “A minha disposição é levar o projeto até o final”, afirmou. “E temos trabalhado para fazer com que essa alternativa encante e encoraje o povo paranaense a fazer um processo de mudança”, prosseguiu.
Silvestri reconhece a complexidade do projeto que, segundo ele, vai exigir muito trabalho e capacidade de agregar mais partidos. Disse ainda ter consciência de que seu nome ainda não é conhecido no Estado inteiro, porém aposta na bagagem e experiência política. “Já enfrentei três eleições majoritárias. Eu sei bem como é isso. Você ganha visibilidade e viabilidade com as caminhadas, e é exatamente isso que estamos fazendo”, ressaltou. Leia a entrevista completa abaixo.
Quem é Cesar Silvestri Filho?
Sou advogado. Fui deputado estadual por um mandato e eleito pela primeira vez como prefeito de Guarapuava em 2012 me reelegendo em 2016 com a maior votação da história do município, Fui reeleito com a maior votação entre os 10 maiores municípios do Paraná, concluindo o 1º mandato com 77,8% de aprovação.
Como o senhor recebeu o convite do PPS para a disputa ao governo do Paraná?
Como o maior desafio político enfrentado por mim até hoje, uma missão que me alegra muito. Recebo este desafio como o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido em Guarapuava. Momento de crise profunda, muita dificuldade, as prefeituras do Paraná e do Brasil sofreram muito e ter feito a gestão que fizemos, a transformação que conseguimos imprimir na cidade e o reconhecimento da população nas urnas, seguramente foi avaliado pelo partido me credenciando a representar o PPS neste processo de sucessão estadual.
Como avalia a disputa pelo Governo do Paraná?
Uma eleição dura, um processo bastante complexo, mas estamos na fase de construção e viabilidade deste projeto. E eu estou muito animado, sempre fui de levar muito a sério as oportunidades, é dessa forma que eu tenho trabalhado já estruturando uma equipe muito qualificada para discutir um plano de governo para que a gente possa já apresentar a proposta de candidatura com clareza do que vai representar em termos de propostas.
Esta decisão é irreversível?
Essa é uma decisão que precisa se consolidar e está se consolidando dia a dia. Evidentemente que se o partido entender que este projeto deva ser levado até o fim e que a gente tenha competência e condição de dar a ele uma viabilidade mínima, a minha disposição é levar o projeto até o final.
Como o senhor tem sido recebido pelos municípios?
Surpreendentemente muito bem. Eu tinha até alguma insegurança de como seria recebido, principalmente em regiões que não são de maior familiaridade e olha que já percorremos boa parte do Paraná e em todas as regiões o projeto tem sido muito bem recebido. Também temos recebido uma simpatia por onde temos passado das entidades, sindicatos, e prefeitos que temos visitado. Mesmo que os prefeitos não declarem apoio por questões partidárias, a gente vê que há um interesse e simpatia por ser uma proposta nova e disposta a enfrentar os “tubarões”, nomes mais consolidados e conhecidos. A própria imprensa tem nos recebido com interesse e atenção a este projeto dando a nós todo espaço necessário para falar sobre ele. Este de fato é um sinal de que a população e a política estão se interessando por alternativas.
O PPS vê o nome do senhor como resposta para 'novo cenário' na política. Como encara esta expectativa?
Eu confirmo esta expectativa de um cenário de incerteza e de mudança. Seguramente, nos últimos 50 anos, pelo menos nós não tivemos um ambiente da política tão desgastado e tão propício para o surgimento do novo. Não há, em nenhum momento anterior, um momento tão fértil para o surgimento de candidaturas diferentes ou até improváveis como esta. E é exatamente neste momento que temos que nos inserir, num momento em que a sociedade busca por opções de mudar, o partido não pode se omitir de oferecer uma proposta de mudança. Mas uma mudança com consistência, não é o novo pelo novo ou apenas porque sou jovem, mas é um projeto de mudança que é alicerçado em propostas ousadas e inovadoras que seguem um modelo de gestão.
Atualmente, o PPS faz parte da base de apoio do governo estadual. Como ficaria a relação com o governo Beto Richa caso ele opte por uma outra candidatura na disputa no Paraná?
Muito tranquila e normal até porque o governador Beto Richa não é candidato à reeleição. Nós estamos fazendo um projeto de sucessão ao governador Beto Richa que é nosso aliado e tem uma série de acertos durante sua gestão, mas que nem por isso nós enquanto partido vamos deixar de procurar e ter o nosso próprio projeto, focando naquilo que nós acreditamos que deve ser tratado como prioridade. Enfim, a relação governo é muito tranquila e bem resolvida.
Qual a principal proposta defendida pelo PPS ao Paraná?
Entre os debates que pretendemos é discutir com seriedade o tamanho das estruturas do Estado. O Paraná ao longo dos anos foi criando estruturas demais, autarquias, companhias, organizações sociais, muitas estruturas que faziam sentido em um determinado momento, mas que acabaram perdendo o sentido ao longo do tempo e não se teve a coragem necessária de reorganizá-las ou extingui-las deixando o Estado inchado demais, diminuindo muito sua capacidade de investimento por causa do custeio pesado. Evidentemente que isso compromete as condições do Estado de viabilizar e priorizar investimentos de infraestrutura estratégicos. Outro tema que me estimula muito é discutir a superação dos gargalos de infraestrutura do Estado. Olhar do ponto de vista estratégico para cada região. Precisamos enfrentar com seriedade e clareza a desmistificação da iniciativa privada no apoio aos investimentos de infraestrutura, que foi demonizado no passado. A minha disposição é introduzir este debate para atrair a iniciativa privada definitivamente para ajudar o Estado a superar estes gargalos, como duplicação das nossas rodovias, viabilização de aeroportos regionais, modernização da região portuária do Paraná, e implementação de um sistema ferroviário que funcione efetivamente. Hoje temos no Paraná um sistema ferroviário muito ineficiente que serve apenas algumas regiões e ignora a grande parte do Estado e grandes regiões produtoras agrícolas. Tudo isso são pontos que pretendemos trazer para o debate.
Em sua opinião qual o principal problema enfrentado pelo Estado?
O grande problema que o Estado enfrenta hoje é equacionar a sua conta. Existe uma série de demandas em áreas importantes que não podem ser adiadas como saúde e segurança, por exemplo. A verdade é que com o Estado inchado e a economia andando de lado (cenário nacional), isso impacta muito nas contas do Paraná. E que pese ao Estado hoje estar numa situação financeira muito melhor que outros estados, mas ainda assim não é suficiente para que possamos fazer aquilo que sabemos que precisa. Então para não ficar dependendo da recuperação da economia nacional é importante o Estado fazer o dever de casa com mais voracidade para reduzir essa conta para nos permitir mais eficiência no gasto e assim sim priorizar aquilo que é fundamental.
Como o senhor vê o atual momento da política no Brasil?
Seguramente é o pior momento das últimas décadas do ponto de vista do encantamento e da credibilidade do mundo político com o eleitor. Tem um lado positivo que é uma mudança já percebida de interesse da população. O eleitor está acompanhando a política mais do que antes, isso evidentemente nos dá esperança que todo esse tom crítico se reverta em opções mais alinhadas com este sentimento. As pessoas estão buscando novas referências, e seguramente elas vão analisar. Muitas caras novas podem surgir e vai caber ao eleitor analisar uma a uma.
Acredita que deverá haver uma grande renovação nas eleições do ano que vem?
Acredito que sim, tanto no Legislativo quanto no Executivo. No Brasil inteiro vai ser um processo de mudança, claro que existem partidos que não permitem o surgimento de quadros novos, mas a regra geral será de mudanças significativas no parlamento, senado, e Câmara. E isso vai refletir nas Eleições do Governo Estadual e, também, muito provavelmente vamos ter um cenário muito improvável no âmbito federal. Ninguém sabe o que pode acontecer na próxima eleição de presente da República.
Acredita que novos nomes deverão ter desempenho melhor?
Tudo leva a crer a isso. A aparência hoje é de os nomes novos terão um espaço importante na próxima eleição.
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